Milena Mignossi – Educação Bilíngue & Inclusiva

Como aplicar DUA fora da escola: eventos, formações e experiências

Quando falamos em Desenho Universal para a Aprendizagem (DUA), a imagem mais comum ainda é a da sala de aula: planos de aula, estratégias pedagógicas, adaptações curriculares.

Mas o DUA não é exclusivo do contexto escolar.

Sempre que pessoas se reúnem para aprender, trocar, refletir ou participar de uma experiência formativa, estamos falando de aprendizagem — e, portanto, de planejamento.

Eventos, formações, encontros pedagógicos e experiências educativas também podem (e devem) ser pensados a partir dos princípios do DUA.

DUA fora da escola: o que muda?

Na prática, aplicar DUA fora da escola não significa “transformar eventos em aulas”, mas sim assumir que:

  • as pessoas aprendem de formas diferentes
  • as barreiras não são individuais, são estruturais
  • o planejamento antecede a inclusão

Em vez de pensar apenas no conteúdo, o foco passa a ser a experiência.

Exemplos práticos em eventos e formações

1. Comunicação acessível desde o convite
Aplicar DUA começa antes do evento acontecer.
Convites claros, com informações objetivas, linguagem simples e organização visual já reduzem barreiras importantes.

Quando o convite é confuso ou excessivamente técnico, parte do público já fica de fora — antes mesmo de se inscrever.

2. Diferentes formas de acesso ao conteúdo
Eventos inclusivos consideram:

  • apoio visual durante falas
  • organização clara das etapas
  • tempo adequado para compreensão

Não se trata de “adaptar para alguém”, mas de ampliar o acesso para todos.

3. Estrutura que não depende do improviso
Quando tudo é resolvido “no dia”, a inclusão vira resposta emergencial.
O DUA aplicado a eventos prevê decisões antecipadas:

  • quem acolhe
  • quem media
  • quem resolve problemas
  • quais ajustes já estão combinados

Isso protege o público e a equipe.

4. Espaços de participação diversos
Nem toda participação acontece da mesma forma.
Algumas pessoas interagem pelo chat, outras preferem ouvir, outras precisam de mais tempo para responder.

Planejar com DUA é reconhecer essas diferenças sem hierarquizá-las.

Inclusão não é ajuste pontual

Fora da escola, o erro mais comum é tratar inclusão como exceção: algo que se resolve se alguém sinalizar uma necessidade.

O DUA propõe o oposto:
Pensar desde o início em experiências mais flexíveis, acessíveis e seguras.

Isso vale para:

  • eventos educacionais
  • formações de professores
  • encontros institucionais
  • experiências culturais e formativas

Por onde começar?

Antes de buscar soluções complexas, vale revisar o básico:

  • O evento foi planejado para públicos diversos?
  • As decisões foram antecipadas?
  • A inclusão depende de pessoas ou do projeto?

Para apoiar essa reflexão inicial, disponibilizei no meu Instagram um checklist gratuito que ajuda a avaliar se um evento online foi realmente planejado para todos.

O checklist está disponível no link da bio do meu Instagram.

Planejar com DUA é sair do improviso.
E assumir a inclusão como critério de qualidade.

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