Milena Mignossi – Educação Bilíngue & Inclusiva

O papel da L1 na educação bilíngue: aliada ou obstáculo?

Nossa conversa de hoje gira em torno de um tabu que ainda assombra salas de aula e reuniões de pais: o uso da Língua Materna (L1) dentro do ensino bilíngue. Afinal, falar português na aula de inglês é “trapaça” ou estratégia?

Além do “English Only”: O que a ciência e o afeto dizem

Por décadas, acreditou-se na imersão radical. A ideia era que, se proibíssemos o português, o cérebro “forçaria” o novo idioma. Mas quando olhamos para a Educação Infantil, essa proibição pode soar como uma barreira ao desenvolvimento emocional.

A criança não aprende apenas palavras; ela aprende conceitos. Se ela já entende o conceito de “solidariedade” em português, ela não precisa reaprender o sentimento, apenas a nova etiqueta linguística. Aqui, a L1 funciona como uma ponte, não como um muro.

A L1 sob a lente da Inclusão e do Direito

Do ponto de vista da Educação Especial, a L1 é, muitas vezes, o que garante a acessibilidade. Para um aluno neurodivergente, o suporte na língua materna pode ser o diferencial para reduzir a ansiedade e permitir que ele se engaje no desafio do segundo idioma sem entrar em sobrecarga cognitiva.

No Direito Educacional, falamos de equidade. Se a barreira linguística impede o aluno de acessar o conteúdo curricular, estamos falhando em garantir seu direito ao aprendizado. A L1 é o recurso de acessibilidade mais natural que possuímos.

A Inteligência Artificial como a terceira via

Não podemos falar de linguagem hoje sem citar a IA. Ela veio para provar que a tradução e o suporte bilíngue não são inimigos da fluência.

  • Ferramentas de IA agora permitem que o aluno explore textos complexos com suportes bilíngues imediatos.
  • A tecnologia facilita o translanguaging (translinguagem), permitindo que a criança use seu repertório total para resolver problemas.

A IA nos mostra que o importante é o processamento da informação. Se o aluno usa um prompt em português para gerar uma estrutura de ideias que ele depois apresentará em inglês, ele não está “poupando esforço”, ele está exercitando uma competência bilíngue sofisticada.

Conclusão: Aliada, sempre!

A L1 é a nossa casa mental. Na educação bilíngue, ela deve ser vista como o alicerce sobre o qual construímos os andares superiores. Quando respeitamos a língua materna, respeitamos a história do aluno e sua capacidade de aprender de forma orgânica e inclusiva.

E você, como enxerga o uso do português no aprendizado de uma segunda língua? Já sentiu que ele ajudou ou atrapalhou em algum momento?

Deixe seu comentário abaixo! Vamos adorar ler as experiências de vocês e continuar essa troca.

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