Quando falamos em Desenho Universal para a Aprendizagem (DUA), a imagem mais comum ainda é a da sala de aula: planos de aula, estratégias pedagógicas, adaptações curriculares.
Mas o DUA não é exclusivo do contexto escolar.
Sempre que pessoas se reúnem para aprender, trocar, refletir ou participar de uma experiência formativa, estamos falando de aprendizagem — e, portanto, de planejamento.
Eventos, formações, encontros pedagógicos e experiências educativas também podem (e devem) ser pensados a partir dos princípios do DUA.
DUA fora da escola: o que muda?
Na prática, aplicar DUA fora da escola não significa “transformar eventos em aulas”, mas sim assumir que:
- as pessoas aprendem de formas diferentes
- as barreiras não são individuais, são estruturais
- o planejamento antecede a inclusão
Em vez de pensar apenas no conteúdo, o foco passa a ser a experiência.
Exemplos práticos em eventos e formações
1. Comunicação acessível desde o convite
Aplicar DUA começa antes do evento acontecer.
Convites claros, com informações objetivas, linguagem simples e organização visual já reduzem barreiras importantes.
Quando o convite é confuso ou excessivamente técnico, parte do público já fica de fora — antes mesmo de se inscrever.
2. Diferentes formas de acesso ao conteúdo
Eventos inclusivos consideram:
- apoio visual durante falas
- organização clara das etapas
- tempo adequado para compreensão
Não se trata de “adaptar para alguém”, mas de ampliar o acesso para todos.
3. Estrutura que não depende do improviso
Quando tudo é resolvido “no dia”, a inclusão vira resposta emergencial.
O DUA aplicado a eventos prevê decisões antecipadas:
- quem acolhe
- quem media
- quem resolve problemas
- quais ajustes já estão combinados
Isso protege o público e a equipe.
4. Espaços de participação diversos
Nem toda participação acontece da mesma forma.
Algumas pessoas interagem pelo chat, outras preferem ouvir, outras precisam de mais tempo para responder.
Planejar com DUA é reconhecer essas diferenças sem hierarquizá-las.
Inclusão não é ajuste pontual
Fora da escola, o erro mais comum é tratar inclusão como exceção: algo que se resolve se alguém sinalizar uma necessidade.
O DUA propõe o oposto:
Pensar desde o início em experiências mais flexíveis, acessíveis e seguras.
Isso vale para:
- eventos educacionais
- formações de professores
- encontros institucionais
- experiências culturais e formativas
Por onde começar?
Antes de buscar soluções complexas, vale revisar o básico:
- O evento foi planejado para públicos diversos?
- As decisões foram antecipadas?
- A inclusão depende de pessoas ou do projeto?
Para apoiar essa reflexão inicial, disponibilizei no meu Instagram um checklist gratuito que ajuda a avaliar se um evento online foi realmente planejado para todos.
O checklist está disponível no link da bio do meu Instagram.
Planejar com DUA é sair do improviso.
E assumir a inclusão como critério de qualidade.