Milena Mignossi – Educação Bilíngue & Inclusiva

Inclusão não acontece sozinha: o que eventos e projetos educacionais precisam aprender

Inclusão não acontece sozinha: o que eventos e projetos educacionais precisam aprender

Inclusão é uma palavra presente em discursos, documentos e propostas educacionais.
Mas, na prática, ainda é comum que ela seja tratada como algo que “vai acontecer naturalmente”, caso haja boa intenção.

E isso raramente funciona.

Tanto em eventos quanto em projetos educacionais, a inclusão não ocorre sozinha.
Ela precisa ser pensada, planejada e sustentada.

Boa vontade não organiza experiências

Muitos projetos bem-intencionados acabam excluindo pessoas não por descaso, mas por falta de estrutura.

Exemplos comuns:

  • um evento que divulga ser inclusivo, mas não informa previamente sobre acessibilidade do espaço
  • uma formação online sem legendas, gravação ou materiais de apoio
  • uma atividade educacional que pressupõe que todos participam da mesma forma, no mesmo tempo

Quando a inclusão não é planejada, ela depende de improvisos, decisões de última hora e da boa vontade individual de quem está à frente.

Isso gera:

  • constrangimento para quem participa
  • sobrecarga para quem organiza
  • respostas frágeis diante de situações sensíveis

Sem método, a inclusão vira reação.

Inclusão é responsabilidade do projeto, não do indivíduo

Outro erro comum é transferir a responsabilidade pela inclusão para uma pessoa específica da equipe — ou, pior, para o próprio público.

É o participante que precisa “avisar” que precisa de apoio.
É o aluno que precisa se adaptar à dinâmica.
É o convidado que precisa “dar um jeito”.

Projetos educacionais e eventos inclusivos precisam assumir que:

  • pessoas aprendem e participam de formas diferentes
  • necessidades variam ao longo do processo
  • conflitos podem acontecer
  • decisões precisam de critérios claros

Isso não se resolve com sensibilidade isolada, mas com processos definidos.

Onde a exclusão costuma acontecer

Na maioria das vezes, a exclusão não surge em grandes falhas, mas nos detalhes:

  • na comunicação inicial que não explica como o evento funciona
  • na ausência de combinados de convivência ou códigos de conduta
  • na equipe que não sabe como agir diante de uma situação inesperada
  • no cronograma rígido, sem pausas ou alternativas

Esses pontos revelam não falta de cuidado, mas falta de planejamento.

Inclusão como critério de qualidade

Quando a inclusão faz parte do planejamento, ela deixa de ser um “extra” e é critério de qualidade.

Um projeto bem planejado:

  • antecipa informações importantes
  • oferece escolhas e alternativas
  • orienta a equipe com clareza
  • reduz riscos e desgastes

Planejar inclusão não é tentar prever todos os cenários,
mas criar condições mais seguras e coerentes para diferentes pessoas.

Planejamento inclusivo: o trabalho que acontece antes

É nesse ponto que entra o meu trabalho com planejamento inclusivo.

Atuo apoiando eventos e projetos educacionais a olharem para a inclusão antes da execução:
na comunicação, na estrutura, nos combinados, nos materiais e nas decisões que orientam a equipe.

Quando esse trabalho acontece antes, a inclusão deixa de ser emergencial e é estrutural.

Inclusão não se sustenta no improviso.
Ela se sustenta em escolhas antecipadas.

Inclusão precisa de método.

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